sexta-feira, 12 de março de 2010
Tribos e grupos étnicos africanos
Estas tribos e grupos étnico/social incluem os Afar, Éwés, Amhara, Árabes, Ashantis, Bacongos, Bambaras, Bembas, Berberes, Bobo, Bubis, Bosquímanos, Chewas, Dogons, Fangs, Fons, Fulas, Hútus, Ibos, Iorubás, Kykuyus, Masais, Mandingos, Pigmeus, Samburus, Senufos, Tuaregues, Tútsis, Wolofes e Zulus.
fonte: www.wikipedia.com.br
Mucambo (cabana)
Apresenta diferenças no Brasil mais de natureza regional, conforme o material empregado na sua construção - folha de buriti, palha de coqueiro, palha de cana, capim, sapé, lata velha, pedaços de flandres ou de madeira, cipó ou prego - do que de tipo, numas regiões mais africano, noutras mais indígena.
Deve-se notar do mucambo dos índios - o tejupar - feito de palha, que os primeiros cronistas acharam-no parecido com a cabana portuguesa dos camponeses do Norte.
Dessas cabanas algumas eram de colmo; outras construídas de madeira ou barro amassado (taipa). A coberta de colmo usou-se até o século XVIII, de modo que Portugal já nos trazia a tradição do mucambo.
fonte: www.wikipedia.com.br
A luta pela terra no Vale do Ribeira
A luta dos quilombolas pela terra avançou muito a partir da Constituição Federal de 1988 que, em seu artigo 68, garante a propriedade da terra ocupada pelas comunidades quilombolas. No entanto, de 1988 até hoje poucas comunidades no Brasil receberam o título de propriedade de suas terras.
Hoje os quilombolas são exemplos de convívio entre populações humanas e a Mata Atlântica e atores importantes em projetos de desenvolvimento sustentável, mas esta sustentabilidade depende da terra, o título em si é importante, mas o mais importante é o acesso e o usufruto do território que, na maior parte dos casos depende da retirada, mediante desapropriação, dos ocupantes não quilombolas, o que exige vontade política e dinheiro para as desapropriações.
Hoje se estima que existam cerca de 2.500 comunidades quilombolas no Brasil, das quais apenas 65 receberam título desde 1988. Se fizermos a conta, veremos que a média de titulação é de 4 comunidades por ano. Mantido este ritmo serão necessários 625 anos para titular todas as terras de quilombos do Brasil, ou seja, no ano de 2.631 a situação estaria resolvida. Dá para esperar tanto?
Este problema da terra afeta os quilombolas em todas as regiões do país e no Vale do Ribeira não é diferente, comunidades como Porto Velho, Cangume, Galvão, André Lopes, apenas para citar alguns exemplos, tiveram seus territórios reconhecidos como terra de quilombos mas grande parte das suas terras está ocupada por não-quilombolas, ficando inacessível à comunidade enquanto o governo estadual ou federal não remover estes ocupantes.
No site www.quilombosdoribeira.org.br, encontra-se uma tabela com a regularização das terras dos quilombos do Estado de São Paulo segundo o ITESP.
domingo, 7 de março de 2010
A identidade da criança negra

O trabalho de educação anti-racista deve começar cedo. Na Educação Infantil, o primeiro desafio é o entendimento da identidade. A criança negra precisa se ver como negra, aprender a respeitar a imagem que tem de si e ter modelos que confirmem essa expectativa. Por isso, deve ser cuidadosa a seleção de livros didáticos e de literatura que tenham famílias negras bem-sucedidas, por exemplo, e heróis e heroínas negras. Se a linguagem do corpo é especialmente destacada nas séries iniciais, por que não apresentar danças africanas, jogos como capoeira, e músicas, como samba e maracatu?
quarta-feira, 3 de março de 2010
Projeto Pedagógico
Professoras responsáveis: Graça Rezende
Tatiane Gallo
Propostas que contemplam a temática étnco-racial
Justificativa: Diante da presença marcante da desigualdade racial dentro do espaço escolar, há a necessidade de um trabalho voltado para por fim a tal comportamento, além de combater o “silêncio” tão presente no ambiente pedagógico, que demonstra como agem os que não sabem lidar com o assunto. E colocar em prática o que estabelece a Lei Federal 10.639/03, que busca contribuir no processo de superação da discriminação e de construção de uma sociedade mais justa, livre e fraterna. Desenvolvendo atitudes e valores de reconhecimento e respeito mútuo. Formando novos comportamentos e posturas que eduquem cidadãos orgulhosos de sua raça.
Disciplinas envolvidas: Língua Portuguesa, Matemática, História, Artes, Geografia
Público alvo: Alunos, equipe escolar, pais e comunidade na qual a escola está inserida;
Duração : Março a Novembro do ano letivo
Objetivos:
Ressaltar importância do respeito ao diferente;
Conhecer a história da África antes da escravidão;
Promover atividades que contribuam na transformação da situação real;
Conhecer e valorizar a história dos povos africanos e da cultura afro brasileira;
Romper com a imagem negativa contra os negros e afros-descendentes;
Destacar as contribuições dos africanos para o desenvolvimento da humanidade;
Evidenciar as figuras ilustres que se destacaram nas lutas em favor do povo;
Discutir com todos assuntos sobre a questão racial;
Trabalhar de forma a melhorar as relações entre descendentes afros, europeus e outros povos;
Reconhecer a existência do racismo no Brasil ;
Valorizar e respeitar os negros e a sua cultura;
Discutir sobre o preconceito para a relação melhorar;
Por fim no mito da democracia racial;
Discutir o assunto com todos, independente da cor, raça, credo..
.
Atividades:
História:
. Textos que retratam a história da África com uma visão positiva, e não somente privilegiando as denúncias da miséria que atinge o continente;
. dramatizações que ressaltem a importância da oralidade, e dos anciãos na preservação da memória e da religiosidade;
.levantamento da vida do aluno, sua história;
. entrevistas com a comunidade ao redor da escola sobre a existência de racismo;
.pesquisar sobre a culinária, e elaborar os pratos típicos de origem africana, degustação de cardápio pelos alunos e família;
Artes
. pesquisar sobre curiosidades sobre o continente africano;
. pesquisa sobre os diferenças entre os diversos povos africanos;
. reprodução em papel machê,, argila, papelão, tinta, cola sobre as máscaras religiosas africanas;
. análise de imagens(obras de arte- Debret, Rugendas...) sobre o cotidiano da vida dos escravos;
.trabalho de comparação entre as fotografias atuais e as obras de arte da época da escravidão;
. confecção de uma boneca de pano negra;
.danças de origem afro;
. confecção com fantoches negros e montagem de uma peça teatral;
.apreciação e audição de músicas africanas;
.trabalho com obras de arte como os de Tarsila Amaral, Candido Portinari, Di Cavalcanti;
Língua Portuguesa
. confecção de mini-dicionários de palavras de origem africana, e ilustra-lo;
. trabalho com contos africanos;
. debates sobre os textos;
. reescrita dos contos e ilustração;
.dramatizações dos contos;
.trabalho com samba-enredo
.análise de comerciais, novelas... sobre a presença o papel desenpenhado pelo negro
.
.leitura e trabalho com livros infantis que valorizam a cultura e a identidade negra. Dentre eles: Menina do Laço de Fita, de Ana Maria Machado, Felicidade não tem cor, de Julio Emilio Braz, Uma Joaninha diferente, de Regina Célia Melo, Os dez sacizinhos, de Tatiana Belinky, Ao sul da África: na África do sul, os Ndebeles, no Zimbábue, os Xonas, no Botsuana, os Boximanes, de Laurence Quetin...
.análise de revistas do cotidiano sobre a presença de modelos negros e produtos para negros;
.trabalhar trechos do poema Navio Negreiro de Castro Alves;
. trabalho de interpretação com músicas. Ex: Olhos Coloridos(Sandra de Sá), Negro Zulu(Jorge Bem Jor), Negra livre( Negra Li);
.textos biográficos de personalidades: Nelson Mandela, Mártir Luther King. Zumbi, Ganga Zumba...
Matemática
. pesquisar sobre o percentual da população negra no Brasil e discutir se é correto denomina-la de minoria;
. elaborar tabelas e gráficos com os resultados das pesquisas feitas;
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Geografia
. reconhecer e localizar no planisfério, os países africanos em que o português é a língua oficial ;
.pesquisa em grupo sobre alguns aspectos culturais desses países(usos, costumes, educação, moeda, sistema de governo.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Educação não tem cor
Com discussões e projetos bem elaborados, é possível combater o preconceito racial que existe, sim, na escola. Está nas suas mãos, professor, o sucesso dessas crianças, negras e brancas, como alunas e cidadãs...
Roberta Bencini (novaescola@atleitor.com.br)
Roseane Souza de Queirós, 8 anos, tem os cabelos lisos e claros, mas queria que eles fossem trançados e escuros como os da colega de sala de aula Juliana Francisca de Souza Claudino, uma garota negra também de 8 anos. Um dia, apareceu com o mesmo penteado afro. A atitude de Roseane surpreende. É muito, muito mais comum a criança negra desejar se parecer com a maioria dos heróis dos contos de fadas europeus, com as modelos estampadas em revistas e jornais e com os colegas que recebem maior atenção em sala, todos brancos e loiros. As duas meninas participam sistematicamente de discussões e projetos anti-racistas na Escola Classe 16, no Gama (DF). O desejo de Roseane é um exemplo concreto de que é possível combater na escola preconceitos e estereótipos enraizados.
E prova, de acordo com especialistas, que uma das saídas para o fim das desigualdades educacionais do Brasil está em enfrentar as desigualdades raciais que estão presentes, sim, no ambiente escolar. Quer ver como? A começar pelo currículo. A história e a cultura negras têm pouco ou nenhum destaque, diferentemente da cultura européia. Em um país com 44% de população afro-descendente, quantas pessoas conhecem a rainha Nzinga, líder da libertação do reino africano Ndongo em 1660, ou Dandara, guerreira do Quilombo dos Palmares, ao lado de Zumbi?
Outro dado: a participação das crianças negras na última série do Ensino Médio representa a metade da registrada na 4ª série. Já os brancos somam 44% dos alunos da 4ª série, mas totalizam 76% na 3ª série do Ensino Médio. Mais: a escolaridade média de um negro com 25 anos gira em torno de 6,1 anos. Um branco da mesma idade tem cerca de 8,4 anos de estudo. Dessa maneira, é possível concluir que crianças negras, como Juliana, enfrentam muitos obstáculos para permanecer na escola. E, sem dúvida, está nas mãos dos professores o futuro delas como alunas e cidadãs, defensoras de seus direitos.
Portanto, eis uma demanda urgente para você: ampliar a discussão e os projetos pedagógicos que privilegiem a igualdade racial. Desde maio, com a aprovação da Lei nº 10.639, é obrigatório o ensino de história da África e da cultura afro-brasileira em todas as escolas de Ensino Fundamental e Médio. Para ajudá-lo a se adequar, mostramos os principais erros e acertos sobre as questões raciais e projetos pedagógicos que valem como inspiração para trabalhar o assunto durante o ano todo.
Passado e presente de discriminação
Uma boa medida para entender o impacto do preconceito e da discriminação na vida escolar é analisar a biografia de professores negros. Quem é a professora de Juliana e Roseane, que conseguiu ampliar padrões de beleza na sala de aula?
Marizeth Ribeiro da Costa de Miranda, 39 anos, escolheu a profissão movida por suas experiências pessoais de racismo na escola e fora dela. Dois momentos são extremamente marcantes na trajetória de estudante de Marizeth: um passeio de coleira pelos corredores da escola (um colega quis reproduzir uma imagem de escravos mostrada no livro de História) e o tapa que levou de uma professora, quando conversava com uma colega branca na sala de aula. Somente Marizeth foi repreendida. "Precisei de muita força para não desistir dos estudos. Mas segui minha vida escolar calada", afirma.
O silêncio é uma constante nas relações raciais. De forma consciente, como fez Marizeth, ou inconsciente, como agem os que não sabem lidar com o assunto. Desse modo, tornou-se natural tratar a história do negro apenas na perspectiva da escravidão e aceitar padrões estéticos e culturais de uma suposta superioridade branca. Sobre isso, disse o líder negro americano Martin Luther King (1929-1968): "Temos de nos arrepender nessa geração não tanto pelas más ações das pessoas más, mas pelo silêncio assustador das pessoas boas".
O relato de vida de professores negros foi tema de um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais. As histórias que fazem parte da pesquisa se confundem em muitos pontos. Apelidos, xingamentos e discriminações são experiências vividas por todos os entrevistados. "Todos deixaram por algum período a escola, seja por problemas financeiros, seja por falta de motivação. As singularidades estão expressas na forma como cada um reagiu ao preconceito e à discriminação racial e nos processos pelos quais, gradativamente, chegaram a perceber a condição do negro no Brasil", conta Patrícia Santana, professora responsável pela pesquisa.
A cultura negra em sala de aula:
ERROS - Abordar a história dos negros a partir da escravidão.
- Apresentar o continente africano cheio de estereótipos, como o exotismo dos animais selvagens, a miséria e as doenças, como a aids.
- Pensar que o trabalho sobre a questão racial deve ser feito somente por professores negros para alunos negros.
- Acreditar no mito da democracia racial.
ACERTOS
- Aprofundar-se nas causas e consequências da dispersão dos africanos pelo mundo e abordar a história da África antes da escravidão.
- Enfocar as contribuições dos africanos para o desenvolvimento da humanidade e as figuras ilustres que se destacaram nas lutas em favor do povo negro.
- A questão racial é assunto de todos e deve ser conduzida para a reeducação das relações entre descendentes de africanos, de europeus e de outros povos.
- Reconhecer a existência do racismo no Brasil e a necessidade de valorização e respeito aos negros e à cultura africana.
Na infância, parece que somos iguais
A história de Creuza Maria de Souza Yamamoto, professora da rede municipal de São Paulo, comprova os resultados da dissertação. Ela só se deu conta do racismo na vida adulta. "Na infância, parece que somos todos iguais e eu tentava me enxergar como meus colegas brancos. Mas minha cor era sempre motivo de piadas", lembra. Atenção e carinho dos professores não fazem parte das lembranças de Creuza. Ela ouviu mais de uma vez frases do tipo: "Ah... esses alunos são burros. Não dá para esperar muito deles". Adulta, optou pelo magistério e, na sala dos professores, o preconceito permanecia o mesmo. "No auge de uma discussão com uma colega, ouvi que meu lugar era na cozinha e não em sala de aula", conta. Creuza era a única professora negra da escola. Hoje, em outra escola, a primeira atividade que faz ao assumir uma turma nova é medir a intensidade do preconceito em seus alunos. Bonecas negras e brancas são colocadas no centro da sala de aula para chamar a atenção das crianças. "Infelizmente, quase sempre as bonecas negras são ignoradas, até mesmo pelos alunos negros."
Relação melhora com discussões
A escolarização significou para Marizeth, Creuza e os personagens ouvidos por Patrícia Santana uma possibilidade de ascensão social. E se tornar professor, além de ser um caminho para a melhoria de vida, foi uma escolha política. "Eu não quero que meus alunos negros sofram o tanto que eu sofri", afirma Marizeth. Assim, sempre que possível, elabora projetos pedagógicos e lança discussões sobre as relações raciais em sala de aula. O trabalho tem dado resultado. A relação entre os alunos negros e brancos está melhor e com a valorização da cultura negra, agora Juliana sabe que pode ficar bonita com suas tranças, diferentemente do que acontecia com a menina Marizeth. "E pensar que eu tinha a cabeça cheia de feridas por causa do creme que meu pai aplicava para alisar meus cabelos", lembra, emocionada. Esses exemplos valem uma reflexão: com quantas situações de preconceito e discriminação você depara todos os dias?
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
A moda chega nas senzalas

O figurino feminino após a chegda da Família Real no Brasil
Com a abertura dos portos, o grupo de escravas comerciantes - que já existia - ganhou força. Muitas negras passavam o dia pelas ruas, vendendo produtos. A roupa delas era a fusão de heranças africanas com o modismo europeu. Usavam objetos mágicos e amuletos sobre o corpo, para atrair dinheiro e se defender de inimigos. As roupas eram de tecidos amarrados e sobreposições à moda africana ou então saias, blusas e vestidos dados pela patroa, mas sempre de qualidade inferior. Como parte do ganho dessas escravas ficava com elas, muitas compravam jóias - que mais tarde podiam ser trocadas pela liberdade.
Curiosidades
A África é um continente de grande diversidade cultural que se vê fortemente ligada à cultura brasileira. Pode-se perceber grandes diferenças em suas raças, origens, costumes, religiões e outros.
Os africanos prezam muito a moral e acreditam até que esta é bem semelhante à religião. Acreditam também que o homem precisa respeitar a natureza, a vida e os outros homens para que não sejam punidos pelos espíritos com secas, enchentes, doenças, pestes, morte, etc. Não utilizavam textos e nem imagens para se basearem, mas fazem seus ritos a partir do conhecimento repassado através de gerações antigas.
Seus ritos eram realizados em locais determinados com orações comunitárias, danças e cantos que podem ser divididos em: momentos importantes da vida, integração dos seres vivos e para a passagem da vida para a morte. Na economia, trabalhavam principalmente na agricultura, mas também se dedicavam à criação de animais e de instrumentos artesanais.
Sua influência na formação do povo brasileiro é vista até os dias atuais. Apesar do primeiro contato africano com os brasileiros não ter sido satisfatório, estes transmitiram vários costumes como:
- A capoeira que chegou na época da escravização e era utilizada na África como luta defensiva, já que não tinham acesso a armas de fogo;
- O candomblé que também marca sua presença no Brasil, principalmente no território baiano onde os escravos antigamente eram desembarcados;
- A culinária recebeu grandes novidades africanas, como o leite de coco, óleo de palmeira, azeite de dendê e até a feijoada, que se originou no período em que os escravos misturavam restos de carne para comerem.
Por Gabriela Cabral
Equipe Brasil Escola
Fonte:www.brasilescola.com
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
A cultura do samba
"Clareamento da população brasileira"

Uma invenção maravilhosa!...
"O cabelisador". Alisa o cabello o mais crespo sem dôr.
Uma causa que até agora parecia impossível e que constituia o sonho dourado de milhares de pessoas, já é hoje uma realidade irrefutavel.
Quem teria jamais imaginado que seria possivel alisar o cabello, por mais crespo que fosse, tornando-o comprido e sedoso?
Graças á maravilhosa invenção do nosso "CABELISADOR", consegue-se, em conjuncto com duas "Pastas Mágicas", alisar todo e qualquer cabello, por muito crespo que seja.
Com o uso deste maravilhoso instrumento, os cabellos não só ficam infallivelmente lisos, mas tambem mais compridos.
Quem não prefere ter uma cabelleira lisa, sedosa e bonita em vez de cabellos curtos e crespos? Qual a pessoa que não quer ser elegante e moderna?
Pois o nosso "Cabelisador" alisa o cabello o mais crespo sem dôr. (O Clarim D'Alvorada, São Paulo, 9/6/1929:1)
O alisamento significaria a felicidade do negro, a realização de seu sonho mais profundo; seria a porta de entrada ao mundo moderno de pessoas elegantes. Daí a adjetivação contundente da invenção: "maravilhosa!...".
Depois de um ano, este anúncio permanecia sendo veiculado no jornal O Clarim D'Alvorada, ganhando cada vez mais espaço, levando a pensar que o produto tinha uma imensa aceitação e, por conseguinte, a empresa fabricadora do produto conquistara o mercado consumidor negro. O título do anúncio continuava sendo enfático:
Uma Invenção Maravilhosa!
"O cabelisador"
Alisa o cabello o mais crespo sem dor
Uma causa que até agora parecia impossivel e que constituia o sonho dourado de milhares e milhares de pessoas, já é hoje uma realidade irrefutável.
Quem teria jamais imaginado que seria possivel alisar o cabello, por mais crespo que fosse, tornando-o comprido e sedoso?
Graças á maravilhosa invenção do nosso "cabelisador", consegue-se, em conjunto com duas "Pastas Mágicas", alisar todo e qualquer cabello, por muito crespo que seja. (O Clarim D'Alvorada, São Paulo, 13/5/1930).Trecho extraído: Domingues, Petrônio José. Estudos Afro-Asiáticos. Volume 24 no.3 Rio de Janeiro 2002. Negros de almas brancas? A ideologia do branqueamento no interior da comunidade negra em São Paulo, 1915-1930.
